O comércio do Bairro Antigo denuncia grave défice de estacionamento em Manresa face a Vic, Granollers e Reus

Cinco associações de comerciantes apresentam relatório técnico sobre aparcamento

As cinco associações de comerciantes do Centro Histórico de Manresa entregaram um relatório técnico sobre acessibilidade e estacionamento que denuncia uma situação de inferioridade competitiva em relação a outras cidades catalãs de dimensão semelhante. O documento baseia-se em dados oficiais e num estudo próprio sobre os hábitos de estacionamento dos clientes, e aponta a escassez de lugares próximos ao centro comercial como a principal preocupação dos estabelecimentos da zona.

As entidades signatárias representam os comerciantes do Born – La Plana, do carrer Nou, de Sobrerroca – Plaça Major – Sant Miquel i voltants, de Urgell – Jaume I – Mel e do carrer Vilanova. Segundo explicam, o problema do estacionamento domina as reuniões periódicas com o município há anos, mas até agora faltavam dados objetivos que permitissem quantificar a verdadeira dimensão da situação.

Uma queixa que os clientes repetem sem parar

O presidente da Associação de Comerciantes do carrer Urgell, Jaume I e Mel, Carles Blaya, afirma que a falta de estacionamento é hoje a principal reclamação dos clientes. Segundo relata, as reuniões mantidas ao longo de anos com os responsáveis municipais terminavam frequentemente sem conclusões concretas por ausência de dados comparativos que sustentassem as posições dos comerciantes.

Por esse motivo, as associações decidiram promover um estudo próprio que permitisse posicionar Manresa ao lado de outras capitais do interior com características similares. O objetivo era determinar se a perceção dos comerciantes tinha uma base objetiva e quantificar o nível de défice existente.

Comparação com Granollers, Vic e Reus

O relatório compara Manresa com Granollers, Vic e Reus. Segundo os dados recolhidos, Manresa dispõe de 897 lugares de estacionamento limítrofes ao centro histórico comercial, enquanto Granollers tem 1.881, Vic 1.389 e Reus 2.100. Os autores concluem que o défice face a Granollers é de 209,7%, ao passo que face a Reus chega a 234,1%.

O documento destaca que Granollers, com cerca de 13.000 habitantes a menos do que Manresa, dispõe de mais do dobro dos lugares limítrofes ao seu centro comercial. Também sublinha que Vic, com quase 30.000 habitantes a menos, oferece mais lugares próximos e conta ainda com uma extensa rede de estacionamentos gratuitos periféricos.

Os comerciantes sustentam que esta diferença afeta diretamente a capacidade de atração de compradores provenientes da comarca e de municípios vizinhos.

O impacto decisivo da distância

Uma das contribuições mais relevantes do relatório é um estudo estatístico elaborado a partir de 2.518 horas de estacionamento registadas através de tickets distribuídos durante o ano de 2025 por um estabelecimento comercial da plaça Fius i Palà.

A análise conclui que existe uma relação direta entre a proximidade de um parque de estacionamento e a sua utilização. Segundo os dados recolhidos, os quatro parques situados entre zero e quatro minutos a pé concentram 92,63% de todas as horas de estacionamento registadas, ao passo que os cinco parques localizados entre cinco e dez minutos representam apenas 7,37% do total.

A partir destes resultados, os comerciantes afirmam que existe um “limiar crítico” de cinco minutos a pé. Ultrapassada essa distância, a procura cai de forma muito significativa.

Blaya explica que os dados confirmam uma realidade que os lojistas observam há muito tempo: os clientes estão dispostos a caminhar alguns minutos para chegar a uma loja, mas quando a distância aumenta ou é necessário um esforço adicional para aceder ao centro histórico, muitos optam por outros destinos comerciais.

A topografia, um fator agravante

O relatório sublinha que a situação de Manresa é especialmente singular pela sua orografia. Os autores recordam que o centro histórico se encontra entre 50 e 60 metros acima de diversas zonas de estacionamento periféricas, um desnível muito superior ao que apresentam as outras cidades analisadas.

Segundo o estudo, este declive faz com que uma distância que no papel poderia parecer razoável seja percebida pelos utilizadores como um percurso muito mais longo. Os comerciantes consideram que este fator foi pouco tido em conta nas políticas de mobilidade aplicadas nas últimas décadas.

Críticas ao modelo atual

As associações entendem que as ações de pedonalização promovidas nos últimos anos não foram acompanhadas de uma oferta suficiente de estacionamento de proximidade. O relatório afirma que as restrições progressivas ao veículo privado, a implementação da Zona de Baixas Emissões e a redução de lugares regulamentados não foram compensadas com alternativas eficazes.

O documento alerta ainda que o tecido comercial representado pelas associações contava com 223 estabelecimentos ativos em 2025 e sustenta que o centro histórico está em risco de degradação se a tendência atual se mantiver.

Segundo os comerciantes, o aumento de população registado no Bairro Antigo nos últimos anos não se traduziu numa melhoria da atividade económica da zona.

A campanha dos 4,95 euros: bem recebida, mas insuficiente

Blaya reconhece que iniciativas recentes como a tarifa comercial de 4,95 euros nos parques de estacionamento municipais representaram um passo em frente, uma vez que, segundo afirma, trouxeram instruções mais claras aos utilizadores.

Ainda assim, considera que os resultados continuam a ser limitados e que será necessário analisar com detalhe o impacto real da medida. Segundo aponta, parte dos utilizadores que beneficiaram do sistema poderão não ser compradores, mas sim trabalhadores ou pessoas que utilizam os parques por outros motivos.

Os comerciantes aguardam também com atenção a entrada em funcionamento do parque de estacionamento previsto na futura Anònima, uma atuação que consideram necessária, mas insuficiente para resolver o problema estrutural.

As exigências ao município

O relatório conclui com um conjunto de propostas dirigidas ao Ajuntament de Manresa. Entre as principais exigências figuram uma moratória em novas ampliações de zonas exclusivas para peões até ser garantida uma oferta adequada de estacionamento, a construção de um parque de estacionamento em altura na área dos carrers Na Bastardes e Sant Pere e a ampliação ou criação de um novo parque comercial de referência.

Reclamam também parques dissuasores gratuitos nas entradas da cidade, uma melhor ligação com transporte público, a recuperação de lugares de zona azul no carrer Jaume I e a concretização definitiva do projeto de estacionamento na Anònima.

Adicionalmente, as entidades exigem uma resposta formal por parte do consistório às suas propostas num prazo máximo de sessenta dias.

Uma visão de futuro para o comércio local

Para os comerciantes, o objetivo principal do relatório não é gerar confrontação política, mas sim fornecer dados a um debate que consideram imprescindível. Blaya defende que, se após décadas de aplicação de políticas similares os resultados não são os esperados, chegou o momento de repensar o modelo.

As associações sustentam que a sobrevivência e revitalização do comércio do Centro Histórico passa necessariamente por melhorar a sua acessibilidade. Consideram que o futuro do Bairro Antigo não depende apenas da qualidade dos seus estabelecimentos, mas também da facilidade com que clientes, residentes e visitantes podem chegar até lá. E é precisamente neste ponto que asseguram que Manresa continua a ter uma disciplina em atraso.

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  • Mafalda Sampaio é uma criadora de conteúdo lifestyle portuguesa que partilha inspirações sobre casa, bem-estar e dicas para o dia a dia. O seu conteúdo combina estética moderna, organização e um estilo de vida simples e acolhedor.

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